Efeito de uma massagem é semelhante ao de um analgésico






Na prática, já se sabia desde a antiguidade clássica, pois gregos antigos e chineses praticavam massagem nos seus atletas depois de exercícios. Mas só agora uma equipa de cientistas, no Canadá, demonstrou o mecanismo bioquímico pelo qual a massagem tem um efeito terapêutico.

O estudo foi publicado na edição de hoje da revista médica americana Science Translational Medicine pela equipa coordenada por Justin Crane e Mark Tarnopolsky, da Universidade McMaster, do Canadá.

Usando um grupo de 11 voluntários que realizou exercícios físicos, recebeu massagem feita por profissionais e, depois, foi submetido a biopsias nos músculos afectados, Crane e os seus colegas documentaram as mudanças biológicas nos tecidos.

«Depois de dez minutos de massagem, vias de sinalização que respondem a stress mecânicos foram activadas. A massagem reduziu sinais de inflamação, e as células musculares massajadas eram mais capazes de formar novas mitocôndrias», escreveu o editor da revista.

Graças à massagem, as células musculares produziram com mais eficiência «organelas» (pequenos órgãos dentro das células) ligados à produção de energia, essas mitocôndrias.
Ou seja, a massagem terapêutica facilita a recuperação após danos musculares.

«A massagem depois da prática desportiva ajuda em duas coisas», afirma Victor Liggieri, coordenador do sector de fisioterapia do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.

«Há uma dor normal pós-exercício. A massagem reduz o tempo da recuperação muscular. E reduz o índice de lesão patológica, por exemplo, um estiramento muscular», diz Liggieri. Isto é, um alongamento, abrupto, do músculo, faz com que este passe do seu limite elástico natural e o deixa contraído. E isso pode durar semanas, meses.

«Mas não é só o atleta que está em risco», diz o fisioterapeuta. O chamado atleta de fim-de-semana é a clássica vítima de dor muscular.

O objectivo do estudo canadiano descrito agora era justamente avaliar essa situação em que pessoas sem grande condição física sofrem de dores musculares.

O estudo envolveu testar os músculos das pernas de voluntários submetidos a exercícios exaustivos.

Dez minutos de massagem reduziram os sinais de inflamação nas células. E, algo que vai merecer mais estudo, o resultado foi parecido ao produzido por analgésicos.

Segundo os autores, é importante dar validade científica a tratamentos baseados no toque, que são cada vez mais procurados em substituição ou de forma complementar ao atendimento médico convencional. Além disso, livraria os pacientes de efeitos colaterais de analgésicos e anti-inflamatórios.

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