História do Yoga




No Brasil a ioga teve início em 1947 por Sêvananda Swámi, um francês de nome verdadeiro Léo Costet de Mascheville. Criador do Sarva Yoga (Yoga Integral), apresentou seus ensinamentos em um Congresso no Rio de Janeiro, assistido também pelo brasileiro Caio Miranda. Sêvananda era um líder natural que arrebatava os corações e mentes.
Com seu carisma viajou por várias cidades dando palestras e fundou um grupo de discípulos em Lajes (Santa Catarina). Em 1953, ganha um terreno de 12 hectares em Resende (Rio de Janeiro), onde, com ajuda da sua esposa, Mestra Sadhana, de seu discípulo Sarvananda (George Kriti-kós) e de Vayuãnanda (Ovidio Juan Carlos Trotta), fundou, em 1950, um centro esotérico denominado Amo-Pax, um ashram de Sarva Yoga e um Mosteiro Essênio, compartilhando o mesmo espaço. Com Sêvananda aprenderam ioga todos os instrutores da velha guarda, que lecionavam na década de 1960.
Sêvánanda enfrentou muitos obstáculos e incompreensões durante sua árdua caminhada. Enfim, esse é o preço que se paga pelo pioneirismo.
Ao considerar sua obra bem alicerçada e concluída, o Mestre Sêvánanda recolheu-se para viver em paz seus últimos anos. Todos quantos o conheceram de perto guardam-lhe uma grande admiração e afeto. Infelizmente Sêvánanda sobreviveu em seus ultimos dias como vendedor de seguros e apesar da admiração de muitos no passado somente uma discipula permaneceu até seus ultimos dias, auxiliando-o. Faleceu sozinho e empobrecido.
Na década de 1960 Caio Miranda escreveu o primeiro livro brasileiro sobre ioga,[1] fundou academias em diversas cidades e formou os primeiros instrutores de ioga, introduzindo a ioga como profissão, ao contrário da direção mística e monástica de Sêvananda. Crescia a ioga no Brasil, através do carismático e controvertido Caio Miranda.
Em 1960, após passar por vários países, chega ao Brasil outro grande líder mundial, Shri Swami Vyaghrananda Pashupati Bhagwan, também conhecido como Mestre Kim (Hee Song Kim) ou Dr. Song (também era médico). Foi ele o introdutor do Raja Vidya Yoga no Brasil, assim como o Vajramushti em 1960. Pouco se fala nele, porque sendo um swami, era bastante discreto e, após sua vida pública no exterior, decidiu migrar para o Brasil, aqui estabelecer-se e terminar seus dias. Em 1980 foi fundado o Vidya Yoga Ashram, em Curitiba, Paraná, pelo seu discípulo Shri Swami Vyaghra Yogi, atual grão-mestre do Vidya Yoga Ashram e presidente desta ordem filosófica. O Vidya Yoga segue a tradição paramparay - transmissão de conhecimento de Mestre a discípulo.
Em 1962 é fundada, no Rio de Janeiro, a Academia Hermógenes de Yoga. Em 1964, o professor DeRose funda, aos vinte anos de idade, o Instituto Brasileiro de Yôga. Em 1965, Maria José Marinho, funcionária da Justiça Federal em Belo Horizonte, inaugura um curso de ioga numa pequena sala alugada e, em 1966, o Centro de Estudos Yoga Nārāyāṇa, é aberto em São Paulo, por Maria Helena de Bastos Freire. Assim, nas décadas de 1950 e 1960 o desenvolvimento da ioga se deu através de academias, com os ensinamentos sendo repassados por transmissão oral. Na verdade, poucos dos professores acima tiveram mestres oficialmente, mas sim caminharam com o seus estudos cada qual se identificando com determinada modalidade.
Inaugura-se, na década de 1970, uma nova fase da ioga no Brasil com a formação de inúmeras associações, como decorrência do incentivo que alguns buscadores tiveram após suas viagens à Índia em busca de conhecimentos, como forma de disseminarem os ensinamentos adquiridos. A partir daí, os cursos de formação de professores começaram a ser delineados. No fim dessa década foi criado o primeiro vínculo institucional com o exterior: a Federação Internacional de São Paulo.
Em 1972, a paulista Maria Helena de Bastos Freire funda, em nível universitário, o [primeiro curso de formação de professores de ioga, com duração de três anos e meio (2.200 horas)]. Perdurando até os dias de hoje, já formou centenas de professores e foi o primeiro curso a esse nível em toda a América Latina.
Em 1973, ocorre o I Congresso da IYTA no Brasil em Bertioga, organizado pelo Centro de Estudos de Yoga Narayana.
Em 1975, é fundada arepresentação no Brasil da I.Y.T.A. (International Yoga Teachers Association, Associação Internacional dos Professores de Yoga), cuja Matriz está situada em Sydney, Austrália, com o nome de Associação Internacional de Professores de Yoga (em inglês, IYTA) pela professora Maria Helena de Bastos Freire, sua Presidente Honorária.
Em 1975 DeRose funda a União Nacional de Yôga,[2] a primeira entidade a congregar instrutores e escolas de todas as modalidades. E passou a dar cursos em diversas universidades em todo o país.
Em 1976, Maria Helena de Bastos Freire funda na Índia o YOCOCEN (International Yoga Coordination Center), com o intuito de colecionar, armazenar e disseminar informações da ioga.
Em 1978 DeRose liderou a campanha pela criação e divulgação do primeiro projeto de lei visando à regulamentação da profissão de professor de ioga. Sob sua influência, surgiram diversos cursos de extensão universitária para a formação de istrutores de ioga em em inúmeras universidades pelo país.[3]
Em 1981, Svami Sarvananda, Pierre Weil, Jean Pierre Bas-tiou, Maria Luísa S. Keddy, Caio Miranda e o casal Neyda e Octávio Melchyades Ulysséa fundaram o primeiro curso regular de formação em ioga, no ano de 1981, na atual Faculdades Integradas Espírita, na época chamada de Faculdade de Ciências Bio-Psíquicas do Paraná. Inaugura-se, nas décadas de 1980 e 1990, o surgimento de federações e associações por todo o país, com cursos de formação e abertura de academias. O objetivo era estabelecer um grupo forte de associações, federações, uma confederação e, finalmente, um conselho superior de ioga.
Em 1980, DeRose começou a ministrar cursos na própria Índia e a lecionar para instrutores de ioga e em Portugal. Em 1982 realizou o Primeiro Congresso Brasileiro de Ioga. Ainda em 82 lançou o primeiro livro voltado especialmente para a orientação de instrutores, o Guia do Instrutor de ioga; e a primeira tradução do Yôga Sútra de Pátañjali – a mais importante obra da ioga clássica – feita por professor de ioga brasileiro.
Em 1994, completando vinte anos de viagens à Índia, fundou a primeira universidade de ioga do Brasil e a Universidade Internacional de Yôga em Portugal e na Argentina. Em 1997 o Mestre DeRose lançou os alicerces do Conselho Federal de Ioga e do Sindicato Nacional de Ioga.
Em 2002, é fundado em São Paulo o [Colegiado de Yoga do Brasil Dharmaparishad] (com adesão inicial de 50 entidades de ensino de ioga em todo Brasil) que busca de auto-regulamentação da ioga que luta pelo livre exercício do Yoga não condicionado à registro ou autorização de qualquer entidade independentemente de sua natureza jurídica. A instituição pretende estimular a aferição de qualificação para a instrução da ioga através de certificados, sem que estes constituam condição para a atuação no ensino e difusão do Yoga e sem obrigatoriedade de filiação.
Em 2006, ocorre o 1º seminário sobre Natha Yoga Sampradaya em Uttarachal - Índia, sobre a coordenação do YOCOCEN.
Hoje, há no Brasil, mais de 30 linhas diferentes, diversos cursos de formação. Estima-se também mais de 5 milhões de praticantes entre as diversas modalidades.

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