Agulhadas que curam e revigoram no MMA




Agulhadas têm aliviado a vida dos lutadores | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Uma agulhada aqui, outra ali, e as dores se vão quase que por completo. Com o intuito de prevenir  e até curar em tempo recorde lesões causadas pela agressividade e explosão física dos combates, cada vez mais lutadores de MMA recorrem a técnicas alternativas de cura e harmonização da energia corporal. Nesse campo, a acupuntura surge como arma contra os longos períodos de inatividade e parceira de quem precisa se digladiar num octógono.

Criada há mais de três mil anos antes de Cristo, a acupuntura é uma vertente da medicina oriental e tem acelerado a reabilitação de pancadas, lesões e pós-cirúrgicos, como garante o fisioterapeuta Leandro Simões Chaves, de 34 anos.

"Quando o atleta sofre pancada, gera hematoma, uma estagnação de sangue e energia no local. Daí então, aplicamos agulhas que fazem circular esse acúmulo. Em uma só sessão, a dor pode melhorar em até 80%", afirma o fisioterapeuta.

Segundo adeptos, o máximo de tempo gasto com recuperação de lesões com a acupuntura é de 10 dias, dependendo da gravidade da mesma. Atenta, a Team Nogueira utiliza o tratamento em atletas entre 60 e 70kg e vê resultados.

"O objetivo é reduzir o tempo de lesões, dar mais disposição e evitar a fadiga muscular", acrescenta Leandro, formado em fisioterapia há 10 anos e acupunturista há sete. Desde janeiro, ele trabalha no camp de Minotauro e Minotouro.

Sheymon Moraes, 21, tem cartel de 70 lutas no muay thai, com 56 vitórias, e ressalta a importância do tratamento para o relaxamento muscular.

"Contribui muito na recuperação de lesão, no descanso, relaxa e tira o estresse. Estava sentindo dor chata nas costas após o treino de wrestling e a acupuntura me reabilitou em um tratamento", analisou.

Amiga, irmã e mãe de muitos atletas da Team Nogueira, Ana Maria Índia, 33, é uma das precursoras do MMA feminino no País e sofre com duas operações de joelho.

"Quando meu joelho está doendo, o Leandro vem, mexe e a dor para. É milagroso. Tenho os joelhos operados no ligamento cruzado anterior e sofro com a cirurgia mal feita do lado direito. Se não fosse a acupuntura, estava perdida", frisa Índia, ex-participante do reality 'No Limite'.

Machões com medinho de alfinetadas

Cobrar coragem de um lutador de MMA pode parecer ridículo. Mas muitos reconhecem que o medo das agulhas assusta mais que encarar um rival com sangue nos olhos dentro de um octógono. Outros, porém, não demonstram fraqueza e até gostam da sensação.

Sheymon Moraes estreou nas artes marciais mistas em março e já acumula duas vitórias em dois combates. Com extenso cartel vitorioso no muay thai, ele garante que trocar socos e chutes é bem mais agradável do que levar agulhadas.

"Não tenho medo de agulha, mas.... (risos). Encarar um atleta no ringue é bem mais fácil...(risos)", diz o garoto, desajeitado e envergonhado.

Mulher guerreira, Ana maria Índia dá de ombros ao choro dos marmanjos e mostra que é baiana arretada e não foge da agulha.

"Que medo de agulha, o quê. Esses homens não estão com nada. A agulha nem faz cócegas", brincou.

Recuperação em tempo recorde

Três, quatro vezes por semana; uma ou mais horas por sessão. O esforço para recuperar atletas na semana que antecede um evento é árduo, para o fisioterapeuta e para o lutador. Mas, na maioria dos casos, o resultado é satisfatório. A pugilista Duda Yankovich é um caso de que vale a pena acreditar nos poderes da medicina oriental.

Sérvia radicada no Brasil, Duda procurou o fisioterapeuta Leandro Simões uma semana antes de um torneio, reclamando de contratura muscular na coluna. Em duas sessões, ela pôde competir pelo cinturão da Organização Mundial de Boxe.

"A proposta é tratar semanalmente um atleta que sofre lesões diárias e dar equilíbrio emocional. Porém, o tratamento rápido é eficiente e a Duda, por exemplo, ficou apta", conta Leandro, que trabalha na recuperação de cirurgia no joelho de Rogério Minotouro.

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